Reduzir letalidade, para quê?

5 de março de 2009

Como se mede a eficiência de uma polícia? E seu poder frente ao crime? Uma boa forma de medir seria: quantos ela é capaz de matar? Em todas as ocasiões de policiamento, é uma arma como fuzil a melhor alternativa? A polícia do Rio mata mais que a paulista e gaúcha, logo a situação do Rio é a mais controlada? Muitos responderiam e essas questões, assim:

“Não podemos dá mole para bandido, esse negócio de arminha não-letal é coisa de polícia fraca!”

Logicamente que não vamos enfrentar criminosos bem armados com flores. Mas a questão não é esse tipo de enfrentamento. Todos nós que convivemos com o dia-a-dia das ruas sabemos que acabamos tendo mais contato com a população comum do que com os “marginais” propriamente ditos. É sobre esses momentos com a comunidade que queremos falar. A hora de interceptar uma quadrilha de assaltantes ou adentrar na área dominada pelo narcotráfico, seja no morro ou na grota é outra situação.
Vamos falar um pouco sobre as situações em que envolvem aquele infrator casual, de pessoas que se consideram de bem, mas descumpriram uma regra de convivência social. Na unidade policial em que trabalhamos, por exemplo, temos “gás pimenta” (OC), mas em uma festa de rua a beira rio, nesse ano, não levamos nenhuma arma não-letal. E quando pedimos para desligar o som de um carro de um “boyzinho” – um garoto jovem e rico, ele recusou-se, seus amigos bêbados partiram para cima da guarnição. E aí? Se os membros da guarnição não sabem defesa pessoal, não tem BP, não tem gás, o que vão fazer? Usar a arma de fogo, para intimidar, ou até mesmo disparar para o alto. Esse tipo de situação deve ser evitada.

Técnica de contato: Aiki Do

Agora pense em outro caso, um deficiente mental, em crise, com uma faca na mão, se você não tem uma rede, o que vai fazer, qual é o único instrumento ao seu alcance? Pense ainda no caso de um folião no Carnaval fora de época, “doidão”, “lombrado”, “chapado”, se você não souber dá uma chave de braço, como é que vai contê-lo? Talvez com um

soco ou tapa, pois bem, quando falamos de técnicas e tecnologia não-letais não estamos falando nunca de ser complacentes com o crime, estamos apenas dizendo que precisamos usar a medida certa para cada oponente.

E se fosse um grupo de mães e seus filhos brigando por vagas na escola, se você não tiver em mente alguma coisa sobre baixa letalidade você com certeza vai até se senti impotente. Por que todos nós temos, hoje em dia, noção das conseqüências jurídicas de uma ação considerada desproporcional. Bem, é verdade, que ao julgar friamente atrás de um birô não se pesa condições e variáveis apenas sentidas pelo profissional que passou pelo fogo da situação. Mas apesar da tomada de decisão rápida que temos que tomar, há como escolher bem, se ao menos pesou em algum momento antes, o que faria em caso de uma situação parecida, ou se já tem em mente alternativas e sobre as questões legais.

Esse tema vai longe. No momento gostaríamos de expo

r quais são as alternativas de baixa letalidade disponíveis e disponibilizar link para um material técnico de autoria do tenente-coronel Wilquerson Felizardo Sandes, da Polícia Militar do Estado do Mato Grosso sobre o tema:

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Clique aqui para ler o artigo sobre: Uso não-letal da força na ação policial: formação, tecnologia e intervenção governamental

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Em oportunidades a frente vamos discutir cada alternativa dessa. Podem aguardar.