Superando a dicotomia sociedade versus policial militar

2 de novembro de 2010

Disciplina: Direitos Humanos e Cidadania

Instrutor: Wagner Soares de Lima – 1º Ten PM

Atividade 03 em Grupo

Vamos refletir sobre…

Superando a dicotomia sociedade versus

policial militar

 

O nosso texto complementar da professora Maria Teresa Nobre, da Universidade Federal de Sergipe e de seu auxiliar Frederico Leão Pinheiro, trata-se de um relato de suas experiências como condutores do Curso: A polícia como protetora dos Direitos Humanos, ministrado a integrantes da Polícia Militar daquele Estado. Segundo o texto, em um primeiro momento foi necessário derribar alguns muros de imagens pré-formadas tanto por parte dos professores acadêmicos, quanto por parte dos policiais.

No decurso do relato NOBRE e PINHEIRO conseguem explicar muito bem como se dá o processo de isolamento e construção de tensão entre a sociedade e a polícia. Por fim vemos que após a quebra das barreiras preliminares, é possível perceber que os policiais têm noção dos aspectos que norteiam sua atuação, que reconhecem os exageros, mas não saberiam como atuar efetivamente contra o crime sem uma certa dose de violência legitimada.

Além disso, que a própria estrutura organizacional das Corporações contribui para uma reprodução sistematizada de condutas que perpetuam a separação entre polícia e sociedade e que há uma necessidade constante e urgente de rever estes elementos da organização para que se possa ter uma polícia como a primeira promotora dos direitos fundamentais da pessoa humana.

Atividades propostas:

1.       Leitura compartilhada em grupo, segmentado nos diversos tópicos do texto, em sala de aula.

2.       Redação de uma lauda com a síntese do que foi lido e os comentários e discussões dos alunos. O texto introdutório anterior é um exemplo de como pode ser produzida a síntese. Enviar por e-mail (wagnersoaresdelima@yahoo.com.br) até o dia 05 de novembro, sexta-feira, às 21h00min.

3.       Dramatização, em 5 minutos, de uma cena que represente apropriadamente situações da referida separação entre polícia e sociedade. Podendo ser a reprodução de um momento intra-muros dos quartéis ou um momento de tensão no contato com a comunidade durante atuação policial. A ser apresentada no dia 11 de novembro de 2010, quinta-feira, no turno matutino, a partir das 10h00min.

Referências bibliográficas

NOBRE, Maria Teresa; PINHEIRO, Frederico Leão. Superando a dicotomia sociedade x policial miltar: relato de uma experiência IN: Neves, Paulo S. da C.; Rique, Célia D. G. e Freitas, Fábio F. B..Polícia e Democracia: desafios à educação em direitos humanos. Recife: Gajop; Bagaço, 2002

Referência Complementar

Representações Sociais, Polícia e Violência: um Estudo Sobre a Violência Policial, por Marcos Santana de Souza


Coleção Citações – Douglas McGregor

3 de maio de 2010

Versão Power Point

“A menos que o próprio emprego seja satisfatório, a menos que sejam criadas oportunidades na situação de trabalho, que permitam fazer dele próprio uma diversão,  jamais lograremos conseguir que o pessoal dirija voluntariamente seus esforços em prol dos objetivos organizacionais. Na realidade, é o reverso que acontece. O trabalho transforma-se numa espécie de castigo ao qual os trabalhadores têm que se submeter a fim de obter aquilo que necessitam para a satisfação de suas necessidades depois que deixam o serviço.”

Douglas McGregor


Coleção Citações – Cecília Whitaker Bergamini

30 de abril de 2010

“É nesse sentido que a ausência de motivação, o doloroso conformismo das pessoas, chega até a ser incentivado em muitas circunstâncias,  e por vezes denominado de virtude. Não estar motivado a seguir direção alguma pode ser muito confortável para os outros,  mas nunca o é para o próprio indivíduo que, por isso, abdicou da alegria de estar vivo.” Cecília Whitaker Bergamini


Policial Militar é cidadão?

10 de março de 2009

policia

Quando escolhemos o título do Blog, pensamos no cidadão que tem segurança como o serviço do qual precisa, mas sobretudo pensamos no agente que promove segurança e sofre com sua identificação como cidadão da própria sociedade de que que é proveniente:

Cidadão-SSP é o policial, membro da sociedade, que precisa gritar para ser ouvido como partícipe dos mesmos direitos comuns, caso contrário, ainda poderia ser visto como cidadão de segunda classe. Profissional da Segurança Pública recebe a carga final dos desarranjos sociais.

Por iso ficamos bastante interessados em recomendar a leitura do artigo: Policial Militar é cidadão? Do Tenente da Polícia Militar do Estado do Tocantins, Rodrigo Nascimento Lacerda Guimarães

pdf-adobe

Clique aqui para ler o artigo_policial_militar_e_cidadao

Resumo: Este ensaio remete à reflexão a respeito da discriminação e privação dos  direitos  básicos  de  cidadania  constatadas  no  ordenamento  jurídico brasileiro consoante aos servidores públicos estaduais militares.


A tropa em busca de um divã

2 de março de 2009

Fonte: Site de Luiz Eduardo Soares

Na viela escura não havia ninguém. O silêncio era inquietante. Alguma coisa parecia estar errada. Comandar uma incursão policial numa favela carioca para apreender armas nunca é tranqüilo. Sobretudo quando se tem a exata medida da responsabilidade e o compromisso com a vida, inclusive dos suspeitos. Mas tudo tinha se tornado mais grave, naquela noite. Sentia que a morte rondava os becos, as ruas, as travessas. Algo no ar parecia soprar maus presságios. Talvez eu estivesse impressionado com o que tinha acontecido, na semana anterior: colegas executados em serviço. A tragédia estava chegando cada vez mais perto. Sentia o gosto do sangue.edna-parker-morre-mais-velha-do-mundo

Franzi a testa e cerrei os olhos para certificar-me de que a viela estava limpa. O momento era de solidão. Quem decide, sob tensão, entre opções que levam à vida ou condenam à morte, está sozinho. Só, como cada um de nós está diante da própria condição humana, a mortalidade. No alto da viela tinha uma abertura lateral, que conduzia a um beco. Minha dúvida era essa. No fundo, era só essa: será que os traficantes estão ali, à nossa espera, sem fazer qualquer ruído? Não seria típico deles, mas nada naquela operação era típico, nem a minha vida continuava sendo típica. O sinal mais preocupante era o silêncio dos cães. Não se ouvia nenhum latido, o que, numa favela, torna a situação quase irreal.

Se eles estivessem nos esperando numa emboscada, nós poderíamos emboscá-los primeiro, avançando sem que eles percebessem e os surpreendendo.

No exato instante em que hesitei e, de novo, me senti paralisado, uma senhora saiu da travessa lateral. Baixinha, negra, cabeça branca, ela caminhava decidida. Ao passar por mim, sussurrou: ‘eles estão lá, meu filho; é uma armadilha’. E seguiu adiante.

Respirei fundo e comentei com o sargento, atrás de mim: ‘Fomos salvos pela velhinha’.

— Que velhinha?, perguntou o policial.

— A velhinha que passou, carregando uma bolsa de supermercado.

— Não passou velhinha nenhuma, capitão. O senhor está passando bem?

Nenhum de meus companheiros tinha visto a tal velhinha. O fato é que os traficantes estavam mesmo preparados para nos emboscar, como descobriríamos mais tarde. Era uma armadilha. Real ou irreal, a velhinha nos salvou. Foi uma alucinação ou um sinal divino?

Respeito as convicções de cada um. Acho que essa é uma questão de foro intimo. Agora, o que eu sei ao certo é que não consegui mais dormir direito desde que meus amigos foram mortos e não consegui mais comandar operações em favela, desde o encontro com a velhinha. As mãos tremem. Suo frio. A vista embaça. Ouço vozes. O mais triste é que meus superiores acham que sou fraco e não levam a sério meu sofrimento.

Quando vejo colegas atirando, matando e acompanhando a morte de companheiros, sinto que, se eles permanecem frios e tranqüilos, inabaláveis, é porque alguma coisa dentro deles está abalada ou destruída. A resposta vem sob a forma da violência contra tudo e contra todos, até dentro de casa. Ou sob a forma de alcoolismo, dependência de drogas. Conheci alguns que pareciam ter o corpo fechado e o coração blindado, e que, de uma hora para outra, deram um tiro na cabeça.

Esse é o depoimento de um policial dedicado e corajoso.

Ler artigo na íntegra: Site de Luiz Eduardo Soares


Ócio e sensação de impotência

1 de março de 2009

image034Em alguns momentos da atuação profissional estamos sobrecarregados, nos sentindo explorados por uma escala massacrante. Mas foi possível observar na atuação do policiamento do Interior, onde geralmente pequenas cidades possuem uma guarnição mínima entre 2 a 4 policiais diariamente, uma situação de estagnação, uma mórbida letargia, a espera apenas do tempo passar. Falta de estrutura e de política interna de programas de atuação, fazem desde operadores da ponta de linha até gestores locais cumprirem uma tabela sem nenhum empenho adicional, sem nenhum estusiasmo pela profissão. Uma situação triste, que contamina e se dissemina. E quando alguém diz: basta, vou fazer algo diferente é rapidamente refreado por um sistema, que não é exclusividade da Segurança Pública, mas do funcionalismo público brasileiro.

Clique aqui para ler artigo (PDF) – Angústia no GPM: Ócio e Sensação de Impotência