Clipping: Comando militar (Revista Você RH)

27 de maio de 2011

Estive em São Paulo recentemente e posso comfirmar que a PMESP é um colosso, sem uma gestão de alto nível, não seria possível tocar uma máquina desse tamanho. Eles estão antenados com as melhores práticas de gestão, adaptáveis ao servidorismo público, além de um uso inteliente de tecnologia.

A PM de São Paulo está entre os maiores empregadores do país

Comando militar

Os 100 000 homens e mulheres da Polícia Militar do Estado de São Paulo seguem as ordens e os processos com uma disciplina de causar inveja às empresas. Agora, eles aprendem a se aproximar da sociedade

Por Tatiana Sendin Foto de Omar Paixão

Quando um policial militar perde a motivação, ele é identificado pelos companheiros por ter o “olho de vidro” — aquele olhar embaçado, que nada vê. Quando isso acontece, a qualquer momento ele pode confundir um motoqueiro com um assaltante e matar um inocente.

Hoje, de 2 000 a 2 500 policiais deixam o trabalho por ano; alguns se aposentam, outros morrem e uns 500 são expulsos por mau comportamento. É pouco perto dos 100 000 homens e mulheres que trabalham na Polícia Militar do Estado de São Paulo, mas é demais para o tipo de polícia que o coronel Alvaro Batista Camilo, o comandante-geral da PM de São Paulo, quer. Ele persegue o conceito da polícia comunitária, que age próxima à sociedade, estabelece confiança com o cidadão, ouve suas queixas e trabalha para prevenir as ocorrências. Para colocar esse conceito em prática, ele precisa de soldados e oficiais educados, treinados, confiantes no seu julgamento e preparados para lidar com a sociedade. Ele precisa de policiais humanos — não apenas que sigam ordens.

A PM de São Paulo tem uma administração que muitas organizações invejariam. Desde 1996, os comandantes adotaram uma gestão por qualidade, mapearam processos e definiram metas. Hoje, existem 1 500 procedimentos administrativos e 200 operacionais, incluindo instruções de como o policial deve abordar um suspeito na rua: analise o local, estude o sujeito, peça reforço se necessário, aguarde o reforço. Com tanto formalismo, a ordem sai do comando-geral e chega até a ponta facilmente. “Se mando uma viatura parar na esquina, uma viatura estaciona ali em poucos minutos”, afirma o coronel Camilo, de sua sala no quartel-general da PM, na Avenida Tiradentes, na capital paulista. Em compensação, se ele disser que existem 100 bolsas de estudos para uma universidade, a informação morre ali.

Desde que assumiu o cargo, em 2009, o coronel Camilo tem aumentado as universidades com as quais a PM tem parceria. Conseguiu, por exemplo, que o Instituto de Ensino e Pesquisa (Insper) ofereça bolsas integrais para os policiais e está tentando descontos em escolas de inglês. Quanto mais o policial estudar, melhor indivíduo ele será, e conviverá melhor com a família, com o cidadão e com o trabalho.

No ano passado, cerca de 98 000 pessoas se inscreveram para entrar na instituição, mas apenas 10% passaram para as últimas fases de seleção. Depois do teste de conhecimentos gerais, os aprovados enfrentam mais três provas — a de aptidão física elimina mais da metade dos finalistas. Por último, uma investigação social, na qual é avaliado o comportamento do candidato em relação aos vizinhos, nas redes sociais e até mesmo com os gastos financeiros, tudo com o objetivo de garantir que só os melhores entrem na corporação.

Para formar seu pessoal, a Polícia Militar de São Paulo conta com seis escolas, sendo cinco reconhecidas pelo Ministério da Educação como curso superior: a de soldados, a de sargentos, a de bombeiros, a de educação física e a de oficiais (a do Barro Branco). A sexta escola, de mestrado e doutorado, que forma os aspirantes a cargos de major e coronel, ainda não tem o selo da Capes (órgão que regula os cursos de mestrado e doutorado), mas o coronel Camilo está atrás disso.

Além da possibilidade de frequentar universidades, os policiais recebem cinco treinamentos durante o ano. Um deles acontece de manhã, antes de os soldados saírem às ruas. O superior os reúne numa sala para discutir, em grupo, o tema da vez, que pode ser desde a revisão do processo de abordagem até uma nova modalidade de crime. Além disso, eles têm uma semana inteira de palestras, durante as quais reveem as normas e ouvem sobre qualidade de vida, gestão financeira, motivação e cuidados com a saúde. E podem ainda escolher entre outros 200 cursos, realizados durante o horário de trabalho, de graça. Na educação dos homens e mulheres da PM entra até aula de ioga e cultos religiosos. “Um policial lida com as piores coisas da vida. Por isso, ele precisa desses apoios para se manter no caminho”, diz o comandante.

Mas nada disso garante a motivação de um funcionário. Para combater o tal olho de vidro e manter a motivação, o coronel investe no reconhecimento. Desde que ele assumiu o comando, os soldados passaram a receber as láureas (medalhas de premiação) em praça pública. A cada 15 dias, um grupo é convidado para participar do Café da Manhã com o Comandante. No dia do aniversário, os soldados recebem um e-mail com os parabéns; os oficiais recebem uma ligação do chefe. Aliás, todos os PMs que trabalharam na virada de 2010-2011 se surpreenderam ao ouvir a voz do comandante nos rádios das viaturas, desejando um bom trabalho e bom ano a todos.

O coronel incentivou que os policiais (incluindo os veteranos e pensionistas) cadastrassem um e-mail para receber suas mensagens. E a PM ganhou perfil no Twitter, no Facebook e até um blog do comandante. O coronel Camilo é informatizado. Além de iPad, iPod, celular e notebook, ele tem na sala um monitor, uma grande TV de LCD, que serve como extensor do monitor, e um aparelho de videoconferência conectado ao gabinete do secretário de Segurança. O gosto por tecnologia o incentivou a comprar notebooks para os comandantes e planejar a instalação de totens para os soldados. “Oitenta por cento da nossa força fica na rua e não tem acesso a PC. Por isso, queremos fazer uma inclusão digital aqui dentro.”

Para combater a exclusão, ele criou um conselho de veteranos, para que os policiais aposentados repassem seu conhecimento aos que estão na ativa. O próximo passo, ele diz, é conseguir que os cursos e treinamentos extras realizados pelos policiais sirvam como pontos nos concursos públicos e promoções — é o começo de uma cultura de meritocracia. A estratégia, pelo menos segundo os registros da PM, parece estar dando certo. Nos últimos dez anos, a Polícia Militar de São Paulo reduziu a criminalidade do estado em 70%. Em 2010, realizou 11 milhões de revistas pessoais (ante 9,8 milhões em 2008). A cada 1 000 revistas, conseguiu prender dez criminosos (em 2008, foram oito), recuperar seis veículos roubados, aprender duas armas de fogo e quatro quilos de drogas. Pelos comentários, diz o coronel, os soldados também têm gostado da nova gestão de pessoas. Só falta convencê-los a se candidatarem às bolsas nas faculdades com a mesma prontidão com que saem para uma blitz arriscada nas ruas.

A PM de São Paulo em números:

A Corporação está entre os maiores empregadores do país

100 000 funcionários
Mais de 43 000 veteranos
39 000 pensionistas
7 800 000 000 de reais é o orçamento de 2011
260 câmeras na cidade de São Paulo
28 aeronaves
16 000 viaturas
450 cavalos
430 cães
30 000 ligações por dias no 190
120 batalhões
60 coronéis, 3 são mulheres
452 embarcações
2 navios de combate


Redução de custos

6 de março de 2009

exame

Continuando na onda de reduzir, vamos falar agora sobre a aquisição de valores e métodos da Gestão Empresarial pelo espaço de serviços públicos. Tenho acompanhado as edições dos últimos anos da Revista Exame e para o mundo capital cada adoção da Administração Pública de formas de gerir da iniciativa privada é aclamada como um exemplo de salvação, o único caminho capaz de socorrer o combalido e caótico sistema público. Não posso discordar ao todo, realmente muita coisa precisa mudar no serviço público. Mas sou sincero em dizer que tais mudanças liberais ao comando dos sociais-democratas é sempre mais difícil de engolir porque eles fazem sem “dó nem piedade”. Mas os trabalhistas, atualmente de centro-esquerda tais como o do PSB ou os indefinidos e multifacetas do PMDB, também fazem os tais arrochos, de uma forma diferente, mas fazem.

Por um lado, acabando com alguns vícios antigos de um coronelismo sanguessuga e por outro lado nos compelindo a novos procedimentos do dia-a-dia, para alguns são ações esperadas a muito tempo

Quem como governador de um Estado, ou prefeito de uma grande capital, não gostaria de ter pessoas como Jorge Gerdau demonstrando pela prova dos nove que pode reduzir muito do custo sem nem mesmo enfrentar as bancadas no legislativo, tão simplesmente através de ajustes internos da máquina. Agora, você meu amigo da segurança pública, pode perguntar, sim caro autor, e daí isso com a gente? Bem meu caro leitor, eu respondo: qual setor você acha que comprovadamente tem o maior número de dinheirama jogada no ralo, com ações descoordenadas, que possui milhares de profissionais todos empenhados no mesmo objetivo, agindo em grupos que parecem se desconhecer. Quer uma atitude mais dispendiosa de que um grande número de departamentos agindo sem coordenação? Pois é, o primeiro alvo deste ajustes inevitavelmente, quando se trata da esfera estadual é a segurança pública. Um grupo de empresários tem investido do seu precioso tempo, servindo de consultores para gestores públicos.

Mas meu papo, de longe pretende ser coisa de sindicalista ou de partido operário, não estou dizendo que são medidas negativas, são na verdade, medidas que podem render bons frutos, mas que nos afetam em cheio. Por um lado, acabando com alguns vícios antigos de um coronelismo sanguessuga e por outro lado nos compelindo a novos procedimentos do dia-a-dia, para alguns são ações esperadas a muito tempo. Mas não quero posar de dono da verdade, ou único que compreende a situação, por isso vou disponibilizar dois links que atestam o que digo. Mas não se esqueçam quando a frota de seu órgão for “chipada” para controlar o consumo de combustível, quando forem terceirizados serviços de limpeza e manutenção de viaturas, quando não houver mais rancho e vocês receberam ticket-alimentação, quando forem cortadas diárias graciosas, quando censos do servidorismo lhe atordoarem o juízo ou quando gratificações ainda não consolidadas em lei lhes forem retiradas, pode crer que a trupe dos empresários missionários está rodando seu Estado.


A terceirização da manutenção da frota foi a frente que surtiu mais resultados, com uma economia de 5 milhões de reais até dezembro de 2007. Além de cortar custos inúteis, a medida liberou 300 homens, que antes se dedicavam à manutenção dos veículos, para o policiamento nas ruas. Outra iniciativa para baixar as despesas foi a instalação de aparelhos eletrônicos nos automóveis da polícia para a medição do consumo de combustível. “A diferença por litro entre os batalhões foi gritante”, diz o subsecretário de Segurança, Marcio Colmerauer.

A cruzada de Gerdau | 26.06.2008
Depois de passar o comando da siderúrgica da família para o filho André, Jorge Gerdau hoje se dedica obstinadamente a levar conceitos de boa gestão para a esfera pública: http://portalexame.abril.com.br/revista/exame/edicoes/0921/gestaoepessoas/m0162633.html

Governo de resultados | 20.03.2008
Ao incorporar princípios do mundo empresarial, o estado do Rio de Janeiro conseguiu tornar-se mais eficiente e sanear suas contas: http://portalexame.abril.com.br/revista/exame/edicoes/0914/gestaoepessoas/m0154783.html#

Agora, um dos principais objetivos é oferecer bônus por resultados aos funcionários públicos. Em Minas Gerais, cerca de 10 000 funcionários ganham bônus de até um salário atrelados a metas específicas para suas áreas. Outro passo é fazer um levantamento dos trâmites burocráticos entre o momento em que certos delitos são cometidos até o momento em que o criminoso é punido. “O objetivo é desburocratizar esse processo e torná-lo mais eficiente”, diz o subsecretário de Segurança Colmerauer. “Em várias frentes, estamos buscando maneiras novas de abordar problemas antigos.”