Dossiê, Matrizes Históricas, Natureza da Polícia Militar

Cavaleiros Templários podem ter influenciado na formação dos corpos militarizados do Brasil, inclusive a PM

O principal reduto dos Templários teria sido a Ordem de Cristo em Portugal, o que garantiu a expulsão dos muçulmanos, impulsionou as navegações e deu um tom diferenciado às forças militares luso-brasileiras.

“Sim, muito provavelmente isso influenciou a maneira de ser do militar brasileiro”, afirma o alagoano, Wagner Soares de Lima, que tem concluído uma pesquisa sobre a Natureza da Polícia Militar, como resultado de mestrado de Ecologia Humana pela Universidade do Estado da Bahia. Wagner prossegue, “mas não só isso, uma rede de outras heranças, que tecem um uma teoria ‘genética’ da PM. Não vejo porque o espanto em relação aos Templários”.

Para entendermos um pouco mais sobre essa inusitada relação, o Blog Cidadão-SSP, pesquisou sobre os Templários:

Templários e a Ordem de Cristo

A Ordem dos Pobres Cavaleiros de Cristo e do Templo de Salomão, comumente denominada apenas de Ordem do Templo, foi formada como uma ordem militar no século XII, que visava proteger os peregrinos cristãos nas viagens da Europa para Jerusalém. Foram decisivos nas batalhas das Cruzadas contra os muçulmanos. Os templários, eram a rigor monges, com voto de pobreza e castidade, se vestiam de branco, com uma cruz vermelha (uma variação daquela usada pelo time carioca Vasco da Gama) estampada na parte da frente da vestimenta. Em batalhas, usavam armaduras e se destacam na arte da cavalaria.

 

Depois de uma ascensão vertiginosa em conceito pela nobreza e o clero, no século XIV, a ordem sofria de descrédito quanto à capacidade de exercer sua missão, já que Jerusalém havia sido perdida para os mulçumanos. Envoltos a sérias polêmicas e divergências com o rei de França, Felipe IV (que incluíam a não aceitação de Felipe como membro e de uma dívida muito grande do rei para com a ordem), o papa Clemente V extingue a ordem, por meio de uma bula papal em 1312.

Mas os templários haviam sido muito importantes na reconquista cristã na península Ibérica e o rei de Portugal, D. Dinis I consegue junto ao papa que uma suposta nova ordem recebesse as propriedades e privilégios dos templários, pelo menos no reduto portucalense.

E assim a ordem, não necessariamente o patrimônio físico esse também, mas, sobretudo o capital simbólico e intelectual dos templários sobreviveu até hoje, quando a ordem não é mais religiosa, mas de fraternidade e honorífica. O estranhamento entre esse tipo de autoridade de honra, de fé, militar e política é tão forte que na atualidade permaneceu uma tradição que se mantém desde 1495, quem preside a ordem é o seu grão-mestre, o Presidente da República Portuguesa, como era o rei em tempos da monarquia.

[Patrocinado]

Tenha aceso a um vasto conteúdo sobre as raízes históricas brasileiras


Entenda porque brasileiros estão escolhendo morar em Portugal


O elemento lusitano nas matrizes da polícia militar brasileira

“Talvez em tempos de necessária valorização de minorias, tenhamos esquecido o elemento português, entre as raízes que formam o povo, a cultura e as instituições brasileiras”, pontua Wagner sobre porque essas ligações são ignoradas ao se falar da construção histórica e cultural das instituições brasileiras.

Na verdade, algumas dessas considerações já haviam sido levantadas pelo pesquisador Francis Albert Cotta, doutor em História pela UFMG, que também é oficial da Polícia Militar de Minas Gerais, tendo comandado o GATE (Grupo de Ações Táticas Especiais) daquela Corporação.

No livro “Matrizes do sistema policial brasileiro”, Cotta faz um primoroso trabalho de pesquisa documental em acervos no Brasil e em Portugal e chega à conclusão de que o sistema de segurança pública adotado no Brasil, desenvolvido paralelamente em Portugal, não pode ser estritamente classificado nem como sendo do modelo de gendarmarias francesas nem como o de blue corps britânico. Na verdade, constitui-se um sistema próprio onde religiosidade, patrimonialismo e militarismo são componentes fundamentais.

 

 

As obras do pesquisador mineiro são muito valorizadas quando o assunto é a História da Polícia Militar, o tenente Cotta demonstrou em suas obras a forte influência que o Exército Português teve na formação dos dois sistemas de segurança pública, tanto o brasileiro como o português. O que o capitão da reserva, Wagner Soares, fez foi considerar como certa tal influência averiguada por Cotta e passou a destacar algumas outras considerações sobre o que a linhagem militar portuguesa tinha de diferente.

Segundo Wagner, as pesquisas sobre a natureza profunda da instituição “encontraram reverberações em duas ordens militares-religiosas, de alguma forma a expansão marítima, o corso e a colonização americana pelos ibéricos fazem ponto de contato com a ordem dos jesuítas e a Ordem de Cristo (que é a continuidade velada dos Cavaleiros Templários em Portugal), aludindo a David Hatcher Childress” e sua obra: Os Piratas e a Frota Templária Perdida. Outras importantes contribuições para perceber essas ligações ocultas foram as pesquisas do historiador Rafael Nogueira e do cientista político Luiz Philippe Bragança.

Nesse momento, Wagner começa a rir e diz, “eita, estamos entrando em outro assunto, né: piratas! Mas na verdade se tratando do uso de forças militares para a atividade policial temos muitas conexões, até então ocultas, que formam o composto da verdadeira natureza institucional”.

Sobre isso ele destaca: “em poucas palavras é possível ver as ‘conexões ocultas’, porém persistentemente vivas, entre bandeirantes, corsários, piratas, exército romano, gladiadores, militares, policiais e guardas. Paulatinamente, no transcurso da pesquisa, fomos montando o quadro de modelos mentais institucionais que se ligam em diferentes graus a diferentes arquétipos do exercício da força-vigor”.  “Nicho-função de força-vigor” é forma peculiar que as instituições do monopólio do uso da força foram denominadas nesse estudo de cunho socioecológico, explica o pesquisador alagoano.


[Seção Patrocinada]

Adquira o Livro “Matrizes do sistema policial brasileiro” de Francis Albert Cotta

 

Clique aqui para conhecer mais sobre as origens do Brasil606a68_52dad87784ce46c09458168f8f4e4fb3-mv2

Para maior entendimento sobre aspectos do elemento português na formação da Sociedade Brasileira e outras considerações sobre a História de Portugal e Brasil, sugerimos a Série Brasil – A Última Cruzada do Projeto Brasil Paralelo.

Dentro em breve a pesquisa sobre a Natureza histórica e ecológica da Polícia Militar estará disponível nos mais diversos formatos de mídia.

 


Referências

[1] COTTA, Francis Albert. Matrizes do sistema policial brasileiro. Belo Horizonte: Crisalida, 2012.
[2] (Pesquisa em Andamento): DE LIMA, Wagner S. A Natureza da Polícia Militar: História e Ecologia. (Dissertação) Programa de Pós-Graduação em Ecologia Humana e Gestão Socioambiental. Juazeiro-BA: UNEB, 2017. Orientador: Juracy Marques. [pesquisas em andamento devem ter seu teor consideradas como opinião pessoal do autor, faltando o crivo da avaliação científica]
 [3] Currículo de Francis Albert Cotta: https://www.escavador.com/sobre/3754496/francis-albert-cotta
[4] Currículo de Wagner Soares de Lima: https://www.escavador.com/sobre/4156290/wagner-soares-de-lima
[5] Série A Última Cruzada, Projeto Brasil Paralelo
[6] VASCONCELOS, Ricardo. Livro conta origem do militarismo no brasil. O Tempo, Super Notícia BH. Publicado em 04 abr. 2013. Acessado em 05 nov. 2017.  Disponível em http://www.otempo.com.br/super-noticia/livro-conta-origem-do-militarismo-no-brasil-1.37653
Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s