História de Santana do Ipanema (ajudando os candidatos)

Concurso Copeve Ufal – Prefeitura Municipal de Santana do Ipanema – 2012/2013

Segundo Campos & Sobrinho (2008), os primeiros habitantes do território onde se localiza o município de Santana do Ipanema foram os índios Carnijós ou Fulni-Ô, (Fulni-Ô é uma expressão da língua Yaathe e significa: “Povo que vive na beira do rio”). Esse grupo, na verdade, pertencia à tribo localizada na serra de Águas Belas, hoje município de Pernambuco, que é limítrofe à Santana. Esses índios viviam espalhados ao longo das margens do rio Ipanema e foram afugentados pelas chamadas “Entradas e Bandeiras”, compostos por descedores e corsários que realizaram as primeiras penetrações no rio São Francisco, de 1656 a 1661.

A ocupação do Sertão da Capitania de Pernambuco, mais próxima ao Rio São Francisco se deu justamente pelos seus afluentes: O rio Capiá, o rio Ipanema e o rio Traipu, no decorrer do século XVII, como bem nos explica Campos & Sobrinho (2008), esse processo se deu à medida que eram concedidas sesmarias a colonos de origem portuguesa.

Em 1658, foi concedida a Nicolau Aranha Pacheco, Francisco de Brá, Damião da Rocha e Baltazar de Farias, uma sesmaria de 16 léguas, perto do rio São Francisco, dividida ao meio pelo rio Capiá, que na época era chamado de rio das Cabaças. Exatamente nas cabeceiras desta sesmaria foi concedida uma outra a Damião da Rocha, Teodosio da Rocha, Francisco de Brá e Antonio Souto.

Nas margens desta ultima doação, foi doada outra sesmaria a Antonio de Souza Andrade e mais três companheiros por carta de 03 de novembro de 1660. Por trás da Serra do Pitajá, os já referidos Francisco de Brá, Damião da Rocha e Baltazar de Farias obtiveram nova sesmaria de quatro a cinco léguas de comprimento por cinco de largura. E nas suas vizinhanças, o Padre Francisco Manoel da Silveira, a Igreja dos Guararapes e mais cinco requerentes conseguiram no ano de 1660 uma sesmaria de vinte léguas de comprimento por dez de largura, entre os rios Ipanema, Traipu e Pibiré. – Isso ocorreu antes mesmo da criação da Comarca de Alagoas, fato ocorrido somente em 09 de Outubro de 1706. (Campos & Sobrinho, 2008)

Formação do povoamento Ribeira do Panema

Denominava-se Santa Ana da Ribeira do Ipanema; Sant’Ana em homenagem àquela sob quem o povoamento teve invocação à proteção divina, este é nome que a tradição cristã acredita ser da mãe de Maria, mãe de Jesus Cristo, ou seja, a avó materna do personagem central da fé dos cristãos.

Ribeira do Panema (ou Ipanema) por estar situado à margem do rio (ribeira) Ipanema. Já Ypanema é uma palavra indígena, que quer dizer “água ruim ou imprestável”. A atual cidade de Santana do Ipanema, nos últimos anos do século XVIII (entre 1750 e 1800), era um mero arraial habitado por índios e mestiços.

Segundo as fontes que nos fornecem informações sobre a constituição de Santana do Ipanema, dois viés de formação que se complementam impulsionaram a ocupação e o desenvolvimento da região. Um é aquele que faz florescer o atual núcleo urbano da cidade de Santana do Ipanema, mediante os esforços desprendidos pela marcha à catequização. Esse viés tem seus apontamentos históricos registrados pelos documentos da Igreja Católica e por isso são mais fidedignos.

O outro viés trata-se da ocupação das terras, a qual gerou paulatinamente um eixo de produção agrícola e principalmente de criação de gado, que se consolidou entre as povoações às margens do rio São Francisco e aquelas que estavam se firmando no Sertão e Agreste pernambucano, como era o caso de Garanhuns. Os registros dessa parte da história se prestam de esparsos documentos, vindo até mesmo a considerar parte dos fatos como mera tradição.

O que se chama viés, também pode ser entendido como diferentes frentes de ocupação e processo “civilizatório”. A primeira frente, denominada de movimento ”curraleiro” (os currais de gado ou latifúndios de exploração econômica da pecuária leiteira e de corte), tratou de desbravar a terra, reconhecendo-a, afugentando os índios mais arredios, subjugando os demais e abrindo claros na mata virgem. O movimento “curraleiro” nucleado pela povoação da Ribeira do Panema representa hoje aquilo que deu forma a toda a região que se estende desde Major Isidoro até Ouro Branco.

Esse movimento se dava de forma rústica, mas seu resultado era que a terra inóspita passava a ser tolerável por elementos como os clérigos. A segunda frente é aquela da qual se pode chamar de catequética seguiu a ocupação colonizatória do espaço geográfico. O afã evangelístico, não perdeu tempo, já que em Alagoas, há tempos estava adormecido desde o ciclo anterior, quando acompanhou a ocupação do Litoral e da Zona da Mata, nos idos do século XVI.

O movimento catequético e o padre Francisco Correia

Com uma pregação vibrante de um jovem “missionário do hábito de São Pedro”, de apenas 22 anos, as bases dos preceitos católicos foram lançadas, preparando a futura evolução do arraial, Ribeira do Panema. O missionário era o padre Francisco José Correia de Albuquerque e a designação “do hábito de São Pedro”, dava-se porque, assim eram chamados os padres seculares ou diocesanos, na época. (MUNICÍPIOS ALAGOANOS, 2012)

É certo que o padre Francisco José Correia de Albuquerque veio de Penedo, na foz do rio São Francisco, terra natal de sua mãe. Seu pai era de Bezerros, Pernambuco. Alguns relatos contam que o nascimento do padre pode ter ocorrido na região da Zona da Mata pernambucana, na cidade de Siranhaém.

Tendo partido para as terras do interior, a oeste do rio São Francisco, o padre fixou-se no arraial Ribeira do Panema, em 1787. Sua chegada aconteceu juntamente com a do fazendeiro Martinho Rodrigues Gaia, quem lhe ajudou a construir uma capela em honra a Senhora Santa Ana.

Essa capela gerou o embrião físico mais visível para o nascimento da futura cidade. Próximo a essa capela, Martinho Rodrigues Gaia construiu a sede da sua fazenda, em algum lugar onde hoje fica a Travessa Rio Branco, no Centro da cidade, conforme histórico publicado pela AMA (2012):

[…] em lugar aprazível à margem esquerda do rio Ipanema, a cerca de 200 metros do Poço dos Homens, no alto barranco do segundo patamar em ordem de afastamento do rio. Os fundos da casa-grande estavam voltados para o cenário do Panema. O lado esquerdo encontrava um declive que levava até à foz do riacho Camoxinga. O terreno plano da frente da casa dava acesso a um longo aclive e, a direita mostrava um plano com ladeira suave adiante.

A conjugação da prosperidade econômica da região como produtora, do povoamento como entreposto comercial e a evolução da vida urbana, social e religiosa, permitiram que na primeira metade do século XIX, fossem feitos os primeiros reconhecimentos oficiais. A povoação cresceu, e cinqüenta anos depois já contava com 4.703 habitantes, dos quais 570 eram escravos.

Nas questões da Igreja Católica, cumpridas as formalidades exigidas, a povoação torna-se freguesia (paróquia), em 1836, sob a jurisdição eclesiástica do bispado de Olinda, pois, nesta época, todo o território alagoano pertencia àquela Diocese.

O padre Francisco Correia, então, é empossado como o primeiro pároco de Santa Ana da Ribeira do Panema, findando seu sacerdócio, seis anos depois, em 1842.

Aquele reconhecimento ocorre simultaneamente pelas autoridades seculares, que por lei provincial de 24 de fevereiro de 1836, cria o distrito de Santana do Ipanema, dentro do território de Traipu.

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A ocupação das terras e a saga dos irmãos Vieira Rego

Os irmãos Vieira Rego são apontados como os principais desbravadores da região. Não são os primeiros a chegarem às terras, mas são indubitavelmente, os que cumpriram as principais tarefas para a definitiva exploração, pois deixaram aos filhos uma extensa área com algumas fazendas para cada um tocar, todos imbuídos de um mesmo conjunto de atividades de produção agropecuária.

Os irmãos Martins (Martinho) Vieira Rego e Pedro Vieira Rego eram descendentes de portugueses, estavam em Penedo, quando ficaram sabendo que existiam extensões de terras devolutas na região da Ribeira do Panema. Há indícios de que eram realmente oriundos da Bahia. Estando, eles interessados na agricultura e na pecuária resolveram fazer o possível para conseguir tomar posse da terra.

Relatos contam que primeiramente Matins foi tratar diretamente com aqueles que não tinham mais o interesse de tocar a exploração das terras. Assim nos conta Campos & Sobrinho (2008), que no dia 19 de março de 1771, o Sr. João Carlos de Mello e sua esposa Maria de Lima passaram a escritura da Fazenda Picada ao Sr. Martinho Vieira Rego – esse documento se referia à localidade denominada Maniçoba, hoje um bairro, às margens do rio Ipanema, de características de transição entre rural e urbano, na periferia de Santana do Ipanema.

A fazenda Picada foi vendida a prazo por trezentos mil réis, dos quais, cem mil réis seriam pagos no mês de setembro do corrente ano, e os outros duzentos mil seriam divididos em mais quatro prestações de cinqüenta mil réis anuais a cada mês de setembro. O gado que havia na propriedade também foi vendido ao mesmo comprador a preço de dois mil réis cada cabeça. Como a Sr.ª Maria de Lima não sabia ler nem escrever, teve o seu nome aposto ao documento pelo seu filho Inácio. (Campos & Sobrinho, 2008)

Entretanto, outros relatos apontam que possivelmente Martins não se contentou com a posse mediante transação direta com os antigos arrendatários. Com a finalidade de pleitear uma sesmaria naquela área, Martins Vieira Rego dirigiu-se ao Rio de Janeiro, capital da época. Pelas datas envolvidas isso ocorreu enquanto governava, no Brasil, o vice-rei Dom Antônio Rolim de Moura. (AMA, 2012)

Martins Vieira Rego conseguiu realizar o seu intento, recebendo uma doação de terras de aproximadamente doze léguas de extensão. (Municípios Alagoanos, 2012)

Os irmãos Martinho e Pedro Vieira Rego e suas famílias fixaram-se à margem esquerda da Ribeira do Panema – primeiro nome da localidade – num lugar cercado de colinas, próximo as Serras da Camonga, Poço, Caiçara e Gugi.

Aparecem, assim, as primeiras fazendas de criar, nesta região, que se comunicavam com as povoações da “beira” do São Francisco, ao Sul, e com o Povoado de Águas Belas, Vilas de Garanhuns e Cimbres na “banda” do Norte.

Referências bibliográficas

Campos, Sergio Soares & Sobrinho, Cicero de Souza. História do Município de Santana do Ipanema. 2008. Disponível em <www.itec.al.gov.br/municípios>. Acessado em 24Nov12.
Municípios Alagoanos. 2012. Disponível em <http://municipiosalagoanos.com.br/ municipio/municipio/?id_municipio=94>. Acessado em 24Nov12.
Associação dos Municípios Alagoanos – AMA. Perfil de Santana do Ipanema: histórico. 2012 Disponível em <http://www.ama.al.org.br/ municipio/santana-do-ipanema>. Acessado em 24Nov12.
FUNDAÇÃO INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA – IBGE.  Canal Cidades@ – Santana do Ipanema/AL. Disponível em http://www.ibge.gov.br. Acessado em 26Nov12.

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