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RESPONDENDO A UM BLOGUEIRO

http://www.salvadorpraja.com.br/2012/02/policia-militar-os-restos-pagar-da.html

Polícia Militar: Os Restos a Pagar da Ditadura

Com os levantes ocorridos na Bahia, sobretudo em Salvador, com evidências de uso da força e do fogo contra a população civil, é de se perguntar se nós ainda precisamos de tamanho poder de repressão contra os cidadãos.
Uma das heranças vivas da Ditadura Militar Brasileira, a Polícia Militar vem ao longo dos anos desgastando a sua imagem perante a população, que habitualmente os associa a um poder exercido de forma brutal e desmedida.

A existência dela em si, é contraditória, num Estado de direitos democráticos com uma constituição que preza pelo exercício da liberdade de expressão, e da liberdade de manifestação.

Era essa a mesma polícia que reprimia os movimentos pró-democracia durante o regime ditatorial, que tantas vezes entrou em choque com os manifestantes das Diretas Já!. Pois bem, o que faz essa corporação ainda hoje entre nós?

A Dissolução da PM

O jornalista André Forastieri escreveu ontem um artigo interessante propondo a dissolução imediata da Polícia Militar, e me junto a ele neste coro. Ele ainda realça, se esta é a PM que sempre cumpre as ordens do Estado quando da repressão dos civis, batendo em maconheiros e craqueiros, então que cumpra a ordem da Justiça baiana que decretou a ilegalidade do movimento grevista.

Sempre é bom lembrar, que numa manifestação a favor de direitos, poderá haver um filho/a, um amigo/a seu, ou até mesmo você próprio lutando pelo que acredita. Porque devemos admitir que tamanho poder repressor seja utilizado contra nós mesmos?

A polícia existe para servir à população, se não o faz ou abusa do seu poder, não tem sentido para continuar existindo. Nos bastará apenas uma Polícia Civil.

O senhor tem razão, o formato da Polícia Militar é uma triste herança da ditadura militar. Uma instituição criada em laboratório, em 69, com o fim temporário das Guardas Civis.  Porém não há nenhum Estado, mesmo dos mais democráticos e desenvolvidos sem um corpo militarmente assemelhado, caro colega, não há segurança sem uma força ostensiva. Nossa polícia é feita as gendermarias argentinas e francesa ou ainda feito as polícias nacionais dos nossos vizinhos. Nossas áreas rurais ainda precisam da antiga Força Pública.

Digo apenas uma coisa: a PM precisa de uma grande mudança, mas sem ela a sociedade brasileira não vive hoje. É um mal necessário. Todos nós aguentamos, 6 meses de greve de professor, 3 meses da polícia civil, uns 15 dias de greve de médico, uns 8 do transporte urbano… mas uma greve da polícia militar não se pode aguentar nem 2 dias… Será que é um orgão realmente dispensável? O senhor brincou o Carnaval? Garanto que o senhor não o faria sem a monstruosa Polícia Militar. Ou o senhor se sentiria seguro no evento com uma patrulha de 10 soldados temporários do Exército com fuzis na mão, ou melhor, com quantos agentes de polícia civil o senhor quisesse a paisana tomando wisky e Red Bull no camarote?

Agora, onde estão os nobres militantes da democracia que não veem as barbaridades de humilhação e desrespeito que acontecem dentro dos muros dos quartéis. Todo brasileiro tem o direito de trabalhar 44 horas semanais, o policial militar trabalha 56, 60 até 64 horas na semana. Não tem direito a adicional noturno, nem hora extra. Os membros da classe operacional ainda são tratados como cidadãos de segunda classe, sem direito a se expressar, pois se assim o fizerem, como o senhor está fazendo aqui no site, são presos.
Não podemos (digo nós, pois sou oficial da PM alagoana e não tenho medo de falar) – não podemos votar , direito básico numa democracia representativa, na verdade, um dever, que até o presidiário fora de seu domicílio já está alcançando. Nós somos jogados para longe de nossas casas em Outubro, para que não possamos eleger representantes.


Fico do lado de minha tropa, que tem sido seguidamente massacrada ainda pela indefinição de nossa situação perante a lei, defendemos os direitos da sociedade, que não nos reconhece como iguais, já que somos regidos por normas e regulamentos, que nos calam, prendem e nos alocam em serviços que ultrapassam, e muito, a carga horária constitucional para o trabalhador brasileiro.


Cumprimos ordens e somos formados para atuar do jeito que fizemos, não cabe hoje ser hipócrita e dizer o contrário, enquanto nos ensinam o respeito aos direitos fundamentais das pessoas em salas de aula, desrespeitam os nossos nos corredores, quartéis e nos demais momentos. Somos semi-escravos de uma sociedade que não nos reconhece como seus pares, uma sociedade que quer segurança, sem que isso signifique dela maior responsabilidade.
No caso específico, da última crise baiana, podemos perceber que existem dentro de nossas Corporações grupos que precisam ser expurgados de nosso meio. Mas as injustiças acumuladas acabam por fazer com que os demais homens e mulheres de bem os tolerem, pois não há nenhuma outra voz que seja audível para os governantes. Pois vozes como a sua, caro blogueiro, não se levantam contra essas injustiças que ocorrem todos os dias com brasileiros, tão cidadãos quanto você. Nisso nos perturba, um ministro de Estado, nivelar todos por esses exaltados e criminosos, bandidos vestidos de farda.
Dos dez mil que pararam, a maioria esmagadora é de pais e mães de família, de bons filhos e filhas, que fizeram concurso para ter um emprego seguro, gostariam de ter outras condições de trabalho, mas quando na polícia chegaram, lá já estava montado um sistema do qual não conseguiram se desvencilhar.
Mas amigo blogueiro, “os homens de terno” não vão aceitar sua sugestão, não sabe porque, é justamente esse sistema de opressão interna, que por vezes extravasa em excessos e abusos para com as comunidades mais carentes, que garante o domínio das chefias, que compradas e absorvidas pelas benefices dos governos, pode cumprir fielmente tudo aquilo o que lhes é determinado. Você é doido, homem… sem esses mini-exércitos particulares como você acha que os políticos estaduais e municipais vão viver?
Como um deputado teria seus capangas, sem a Polícia Militar? Como um prefeito poderia exigir algo de um comandante local se os policiais tivessem bons salários de verdade e não dependessem de migalhas? Será mesmo que sociedade quer uma polícia que a fiscalize de verdade? Será que os médicos, donos de clínicas querem ser fiscalizados em suas consultas fantasmas para o SUS, os diretores de escolas em suas compras de merenda, os jornalistas em seus acordos com prefeituras e empresários para divulgarem notícias não tão idôneas? E certos  juízes que vendem sentenças, que tal dissolver os tribunais, o congresso, as câmaras municipais, inclusive os grandes conglomerados da mídia que servem aos desmandos do país?

Posso lhe garantir amigo blogueiro, você está apontando sua metralhadora crítica para o lado errado.
Uma Polícia civil já, uma que trabalhe e fiscalize tudo isso. Uma que não tenha o choque para acabar com as greves dos outros e que possa ela mesma fazer greve!

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