Variedades (2009 a 2007)

Capitão Wilson me perdoe, mas Barenco deu o exemplo!

Ícone: Capitão Wilson

Definitivamente sou o fã número um do personagem Capitão Wilson do programa Força Tarefa da TV Globo. Bem que esse nome me traz outras recordações: meu pai, que tem o mesmo nome e é reformado da Marinha e o capitão de mesmo nome, filho do Sertão com quem trabalhei por uns cinco anos e a ele tenho muita admiração.

Mas o personagem tem suas próprias qualidades que me cativam e ficam bem sintetizadas numa frase dele, toda vez que vai executar uma prisão de um policial corrupto. O policial alega: “que isso cara (ou, que isso capitão) somos todos da casa, eu sou policial como você!”. E é nessa hora que o capitão altera a voz, nitidamente com a emoção a explodir, só falta engolir o sujeito, retruca: “como você não, eu sou policial, você é um bandido!”.

Esse é meu tenente Wilson, hoje capitão, uma ficção. Ele atua como uma polícia investigativa da Corregedoria da Polícia Militar, limpando a Corporação das mazelas. Mas ele sempre está correndo perigo, com o casamento em crise, pouca grana e com um fantasma de um coronel corrupto suicida a tira colo. Na sua perseguição pelo certo, dentro de uma instituição destroçada ele incorpora para sua vida pessoal a mesma degradação existente na Corporação. Lógico, ele nunca será reconhecido dentro do jogo.

Alcoólatra com sobrepeso lembra-me muitos policiais. Ele é o meu ídolo. Ele é a figura do justiceiro intra-institucional. Que lava nossa alma, das safadezas sórdidas de um sistema entranhado nas redes da corrupção.

Atitude exemplo: Marcílio Barenco

Já Marcílio Barenco, nunca foi para mim modelo. No começo de sua carreira a propaganda de justiceiro idôneo me chamou a atenção. Não vou dizer que não gostei quando peitou os deputados pistoleiros. Mas nunca me enganei com a conversinha dele. E cá entre nós, que cabelinho mais…

Só que Barenco fez algo, que tem um significado e tanto: o Delegado-Geral da Polícia Civil do Estado de Alagoas, simplesmente entregou o cargo. Passou num concurso público e foi embora. Minha gente: ele está dizendo tudo com isso.

Acabou a Segurança Pública do Estado de Alagoas! Não pela saída dele. Ele é que não vai esperar para afundar junto com esse Titanic. O povo ainda acha que os delegados, que ele perseguiu, numa briga quase de birra pessoal, irão dar jeito, como no passado conseguiam com seus métodos toscos. Eram outros tempos. Eles não faziam porque eram bonzinhos, não. Eles sempre tiraram o deles por fora. Não sejamos hipócritas, resolviam em parte. Mas para a complexidade encontrada hoje, nos grandes centros, em meio a dramas sócio demográficos o que precisamos é de inteligência. Firmeza é necessária, mas firmeza inteligente.

E venhamos e convenhamos, firmeza que existe hoje é apenas o assédio moral para com os subordinados e a inteligência zero. Os caras não têm vergonha de ir a uma entrevista ao vivo no telejornal, não dizer nada com nada. ACABOU! E da Polícia Militar advém ainda mais a frustração sobre o tema. Existe um livro sobre a história da Briosa, que precisa ser completado, com o capítulo: o fiasco a era dos “tenente-coronéis”.

Barenco em reportagem do Tudo Na Hora, disse: “Agora começa uma etapa nova. Alagoas foi muito importante na minha vida. Missão cumprida. Vamos para outra”, na verdade ele queria dizer: “Vão tudo tomar naquele canto, porra nenhuma, fiquem aí com a merda de vocês. Eu é que não vou mais perder tempo. Enquanto eu saio, o PCC e o CV tão chegando… Otários!”.

Barenco (apesar de gostar topado do capitão Wilson), parece que vou analisar com carinho o seu exemplo, justamente nos momentos de geladeira, é melhor para estudar, por é claro, quem fala essas verdades, fica encostado: sei lá diplomata, auditor fiscal, agente da PF, professor universitário etc. O cabelinho de “boi lambido”, deu o recado… Depois não vão dizer: “quem mexeu no meu queijo”.

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