Arma de fogo: Proteção ou Risco?

Curso de Ações para Controle de Armas

Como leitura complementar de nossos estudos sobre o tema, estou diponibilizando link para o livro: Arma de fogo: Proteção ou Risco?, de Antônio Rangel Bandeira e Josephine Bourgois. Os autores estão envolvidos em Movimentos de ONG’s que lutam por ações mais efetivas no combate a violência. Talvez a visão social centrada, queira para nós agentes de segurança pública parecer que estão tentando a força inculturar algo averso ao nosso código de conduta. Falar em negativamente sobre armas, pode soar estarnho para quem trabalha com elas.

Antônio Rangel Bandeira

Antônio Rangel Bandeira

Mas mediante uma base estatística muito rica, com vários colaboradores os autores demonstram verdades e fazem cair por terra mitos sobre o uso de armas. No final cabe a você, definir sua opinião e responder a pergunta do título.

Selecionei dois pontos, apenas para ilustrar: a apresnetação do livro feita por Rubem César Fernandes, Diretor Executivo do Viva Rio; e um mapa indicativo da distribuição das armas no país.

Em meu tempo de garoto, aprendi a ter medo de navalha. “Cuidado, ele é
capoeirista…” De tiro, não me lembro ouvir falar, a não ser num baile de
carnaval, no Clube do Flamengo, que me ficou na memória por conta de um sujeito
ciumento que se deu ao trabalho de ir em casa, pegar a arma e voltar para
acabar com a festa. Em meu ambiente, arma de fogo não era problema. Briga se
resolvia na mão.

Hoje, quarenta anos depois, capoeira ganhou respeito, navalha virou antiguidade e o que
se vê, por todo lado, é o uso descontrolado da arma de fogo. São tantas e tão
profundas as causas da violência, que dá desespero pensar. Em meio a elas,
contudo, na dureza do cotidiano, sabemos que a arma de fogo desequilibra.
Transforma o banal em fatal. Gera poderes paralelos. Generaliza a vizinhança da
morte.

Controlar a arma e o seu uso tornou-se, pois, tarefa maior. Votou-se o Estatuto do Desarmamento. Fez-se a campanha de entrega voluntária de armas. Mobiliza-se agora um Referendo para a proibição da venda de armas para civis no Brasil. São ações de grande porte, com um único objetivo: o controle da arma de fogo. Lembram grandes campanhas preventivas do passado, como as de combate aos vetores transmissores de doenças tropicais. Violência, como a malária, virou epidemia, sintoma de uma patologia que escapa aos
controles coletivos. Mosquito não é causa de doença, assim como arma não é
causa de violência, mas ambos são responsáveis pela multiplicação e o
agravamento do mal.

A questão é polêmica. Arma virou problema apenas nesta geração e a adoção de uma estratégia preventiva para a violência, típica do que se faz na saúde pública, também é novidade. Há muitas perguntas no ar. Este livro examina cada uma delas com um rigor e uma

Rubem César Fernandes

riqueza de informações admiráveis. É a fonte que nos faltava.

Rubem César Fernandes
Diretor Executivo do Viva Rio

Conclusões

Analisando os dados citados, chega-se a várias conclusões, todas elas preocupantes e que ajudam
a esclarecer porque o Brasil vive nesse caldeirão de violência:

• 90% das armas estão em mãos civis (15.257.808), quando a média internacional é de 60%, e apenas 10%
são do Estado (1.753.133);

 

  • • As armas ilegais representam 50% (8.492.857) do total e as legais 50%; das armas ilegais, 54%
    pertencem ao mercado informal (4.635.058) e 46% estão em mãos de criminosos (3.857.799);

 

  • • Das armas no setor privado, 30% são informais (não registradas), 25% criminais e 45% são legais.

A Campanha de Desarmamento visa recolher armas de dois segmentos: armas legais de
pessoas físicas civis (4.441.765), e armas do mercado informal, isto é, não
registradas (4.635.058). As demais armas de criminosos (3.857.799), como bem
disse o ministro da Justiça Márcio Thomaz Bastos, “têm que ser tomadas
à força pela polícia”.

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