Servimos com prazer, mas não para sermos “sacos de pancada”

Estou muito satisfeito, pela primeira vez vi a Festa da Juventude dar certo, em termos de organização, contudo, ironicamente a comunidade local sentiu falta da liberdade de diversão sem controles, sentiram falta do seu som que animava as baladas, mas gostaram da ausência do som do vizinho que os deixava dormir quando queriam. Sentiram falta da bebida quente servida em taças de vidro, porque ostenta sua riqueza, mas gostaram de saber que ao fim não haviam tantas garrafas que servissem de arma contra seus filhos. Sentiram falta da cocaína e dos inalantes que não conseguiram chegar com a mesma quantidade e preço baixo de antes, mas elogiaram, a presença constante da polícia.

Fico profundamente inconformado, que digam: “parabenizamos o trabalho de todos, inclusive da polícia, porém algumas ações da polícia foram excessivas”. Bem, tais ações, que antes não foram tomadas por omissão, incompetência ou medo, formaram-se um fator crucial para o êxito. Agora os agentes, que tiveram pulso suficiente para dizer todos os “não” necessários, principalmente para a classe abastada, afilhados de políticos, serão provavelmente crucificados.

Fiz meu trabalho e cumpri meu dever, se alguém vai lograr pontos com isso, bom para quem quer que seja. Estou pronto para servir, mas não para ser “saco de pancada”. Fico do lado de minha tropa, que tem sido seguidamente massacrada ainda pela indefinição de nossa situação perante a lei, defendemos os direitos da sociedade, que não nos reconhece como iguais, já que somos regidos por normas e regulamentos, que nos calam, prendem e nos alocam em serviços que ultrapassam, e muito, a carga horária constitucional para o trabalhador brasileiro. Cumprimos ordens e somos formados para atuar do jeito que fizemos, não cabe hoje ser hipócrita e dizer o contrário, enquanto nos ensinam o respeito aos direitos fundamentais das pessoas em salas de aula, desrespeitam os nossos nos corredores, quartéis e nos demais momentos.

Somos semi-escravos de uma sociedade que não nos reconhece e como tais, estamos felizes em servir, somente gostaríamos de não sermos agora usados como “bode expiatório”, único alvo de crítricas.

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