Caso Eloá (parte I)

Série de reportagens do Bom Dia Brasil – Globo

Estamos enriquecendo o conteúdo do Curso de Gerenciamento de Crises  (EaD) e para o cronograma da 3ª Semana apresentamos a oportunidade de discutir o Caso Eloá. Vamos analisá-lo do ponto de vista dos conhecimentos já adquiridos nos módulos e vamos nos inteirar mais sobre vários aspectos dos fatos.

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Comecemos com uma série de reportagens do telejornal Bom Dia Brasil da TV Globo:

Publicado em: http://g1.globo.com/bomdiabrasil/0,,MUL830085-16020,00-ESPECIALISTAS+DISCUTEM+ACAO+DA+POLICIA+DURANTE+SEQUESTRO.html

Especialistas discutem ação da polícia durante seqüestro

Inquérito sobre a morte de Eloá será concluído em uma semana. Especialistas discutem se a ação da polícia durante toda a operação em Santo André foi a mais acertada.

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Especialistas em segurança concordam que a invasão do apartamento onde estavam Nayara, Eloá e Lindemberg era necessária. Mas eles dizem que houve erros no planejamento da ação. O comandante do Gate, que participou das negociações com o seqüestrador, disse que o único erro foi de Lindemberg.
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Erro de planejamento? Falha na execução? Falta de equipamentos? Por que a invasão para salvar as reféns terminou com duas adolescentes baleadas e com a morte de uma delas? Especialistas em segurança e policiais do Grupo de Ações Táticas Especiais (Gate) da Polícia Militar, responsáveis pela operação, concordam que era preciso invadir o apartamento para tentar resgatar Eloá e Nayara.

Todos concordam também que invasão é sempre uma ação perigosa, que aumenta o risco de terminar com reféns feridos ou mesmo mortos. Exatamente por isso, ela precisa ser planejada até os últimos detalhes. É neste ponto que o consenso se transforma em crítica.

O coronel José Vicente da Silva Filho, consultor em segurança e ex-secretário nacional de Segurança Pública, diz que a principal arma para uma invasão é a informação.

“Principalmente informação a respeito de posição das pessoas no ambiente para onde vai ocorrer a invasão”, afirmou o especialista em segurança José Vicente da Silva Filho.

Para isso, é preciso investir em tecnologia. Um equipamento indispensável seria uma câmera para mostrar a posição exata do seqüestrador e das adolescentes no momento da invasão.

“É uma câmera que tem uma haste muito fina, de fibra ótica, que permite você inserir através de uma fechadura ou mesmo embaixo de uma porta. É suficiente para você vislumbrar o que acontece dentro do ambiente como esse”, explica o especialista em segurança José Vicente da Silva Filho.

Marcos do Val, instrutor da Swat, nos Estados Unidos, cita um recurso ainda mais moderno.

“Uma radiografia, uma placa grande que eles abrem do lado de fora da parede e vai tirando radiografia. Por uma tela ou um monitor, eles conseguem ver através do calor a movimentação ou então onde estão as pessoas e tudo mais”, comenta o instrutor da Swat Marcos do Val.

Um desses recursos permitiria ver os móveis atrás da porta, que dificultaram a entrada dos policiais.

“Com certeza, atrapalhou. Eles não sabiam como entrar, porque não sabiam exatamente em que posição eles estavam”, acrescenta o instrutor da Swat Marcos do Val.

O comandante do Gate, Adriano Giovaninni, que atuou como negociador, defende a ação. Segundo ele, a barricada não foi uma surpresa.

“A equipe vizinha escutava ruídos de móveis sendo arrastados. É óbvio que tínhamos a idéia de que poderia haver alguma barricada, uma cadeira ou um sofá atrás da porta. Tanto é que a carga foi calculada para cortar a porta e já arrastar um pouco os móveis também. Tanto é que fez isso a ponto de deixar um vão que daria para passar, pelo menos, um policial inicialmente. Depois os policiais se livraram da porta. Mas é óbvio que nós planejamos isso”, afirma o comandante do Gate, Adriano Giovaninni.

Entre a explosão e a entrada dos policiais, Lindemberg disparou contra as reféns. Segundo os especialistas, se a invasão tivesse sido feita por várias entradas ao mesmo tempo, a chance de sucesso seria maior.

O comandante do Gate rebate. Adriano Giovaninni explica que havia três equipes prontas para a invasão: a primeira no térreo; outra em um apartamento ao lado de onde estavam as reféns – foi a que entrou pela porta da frente; e a terceira equipe estava no apartamento da frente, um andar acima.

“Houve planejamento, inclusive, para as entradas secundárias, que é o caso da escada. A escada telescópica foi colocada ali como uma entrada secundária e de menor importância”, acrescenta o comandante do Gate, Adriano Giovaninni.

Outra crítica dos especialistas: se a polícia teve uma chance, deveria ter atirado em Lindemberg.

“O que estava em risco eram duas vidas de reféns inocentes. Então, o foco não é pensar se vai matar um adolescente que está com arma na mão. Ele está cometendo um crime ali”, defende o instrutor da Swat Marcos do Val.

“O erro é você ter essa concepção de não atirar. Você tem obrigação de atirar num indivíduo que esteja ameaçando mortalmente um inocente. É obrigação, é uma legítima defesa, isso está escudado pelo Código Penal. Ele é obrigado a fazer e não pode contar a alternativa ‘não fazer isso’”, diz o especialista em segurança José Vicente da Silva Filho.

“Praticamente ele preencheu todos os requisitos legais para utilizar essa ferramenta. Ele preencheu tudo. Só que, na verdade, faltou uma oportunidade em razão da possibilidade de risco para as vítimas. O que acontece: faltou oportunidade. Ninguém tem a melhor visão do que os meus policiais lá. Não é observando uma imagem de imprensa que eu sei avaliar toda uma ocorrência”, garantiu o comandante do Gate, Adriano Giovaninni.

O comandante da operação, Eduardo Félix de Oliveira, deu outra versão numa entrevista coletiva no último sábado (18), dia seguinte à invasão.

“Nós poderíamos ter dado o tiro de comprometimento, mas eu repito: é um garoto de 22 anos de idade, sem antecedentes criminais, de uma crise amorosa”, alegou o comandante da operação, Eduardo Félix de Oliveira.

“Foi um erro que não teria, se executado adequadamente, a conseqüência que teve. Ou seja, matou-se um inocente por causa de uma opção tática errada do comando da operação”, acredita o especialista em segurança José Vicente.

“O Gate não errou. Quem errou foi o Lindemberg. Ele errou de ter procurado uma arma, de ter premeditado o seqüestro, ficar lá cinco dias e fazer o que fez no final. A única pessoa que errou foi ele”, defende o comandante do Gate, Adriano Giovaninni.

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One Response to Caso Eloá (parte I)

  1. José Elson disse:

    acredito que quando uma pessoa mesmo com bons antecedentes criminais , não aceita ser ajudado por uma equipe de especialistas que é o grupo do gate ,e depois do que ele falou que um anjo mandavava ele render-se e o outro negativo mandava ele tomar uma atitude negativa ,tinha do comando tomar uma posicação de entrar e resolver a situação que não podia mais ser negociada mesmo que tivesse de ceifar a vida de um (cidadão).

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